Perguntas e respostas: contratos de gás ocular dos ceramistas do Brasil, biogás

Os produtores brasileiros de cerâmica estão buscando oportunidades em contratos bilaterais de biogás e gás natural, mas querem cortar custos e renegociar penalidades relacionadas a compromissos de take-or-pay ou reserva de capacidade de gasodutos com distribuidores de gás nacionais. A Argus conversou com Benjamin Ferreira Neto, presidente do conselho administrativo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Revestimentos Cerâmicos, Louças Sanitárias e Produtos Afins (Anfacer). Seguem os destaques editados.

A Anfacer visitou recentemente a Dinamarca e a Espanha para pesquisar novas tecnologias energéticas. Você pode trazer algumas das inovações do setor cerâmico para o Brasil?

O objetivo da indústria cerâmica é aumentar a sustentabilidade. Queremos reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis, por isso visitamos o hidrogênio e outras usinas para aprender mais sobre essas tecnologias.

O Brasil costuma estar um passo atrás dos últimos desenvolvimentos energéticos, mas entender o que está acontecendo no mundo pode levar a Anfacer a ajudar a estabelecer políticas públicas e leis que levem nosso país nessa direção, como foi o caso do novo mercado de gás.

Perguntas e respostas: contratos de gás ocular dos ceramistas do Brasil, biogás

Essas novas tecnologias estão prontas para serem implementadas no Brasil?

Não estamos nem perto de usar hidrogênio como combustível. Algumas indústrias brasileiras podem estar perto de usar hidrogênio para converter produtos petroquímicos, como na produção de fertilizantes verdes, mas a mudança de outros combustíveis para o hidrogênio é um ponto sem retorno. Deve ser feito com cautela, sem pressa. Se uma transição não for bem pavimentada, pode levar ao caos logístico.

A indústria cerâmica entrará no mercado de contratos bilaterais de gás natural?

Sim, estamos considerando essa possibilidade e adotando o biometano como alternativa ao gás da distribuidora, já que há uma abundância de resíduos da indústria sucroenergética brasileira.

Primeiro, a Anfacer acredita que nossos associados serão consumidores parcialmente livres, o que significa que compraríamos parte do gás de uma distribuidora local e os volumes restantes de gás diretamente de produtores de gás em contratos bilaterais. Isso exigiria a gestão de mais de um fornecedor por vez, uma vez que as propostas de fornecimento de gás são interrompíveis e as fábricas de cerâmica precisam de um aporte firme de gás.

Também nos perguntamos se o país tem infraestrutura suficiente para firmar contratos bilaterais. Algumas distribuidoras não conseguiram se afastar da Petrobras e firmaram novos contratos com outros produtores, o que nos leva a acreditar que não se trata apenas de fornecedores insuficientes de gás, mas de infraestrutura inadequada.

As regulamentações estaduais, que diferem em cada estado e têm vários níveis de complexidade, também são um problema. Precisamos sentir as dificuldades do mercado de contratos bilaterais antes de optar por encerrar totalmente os contratos com distribuidores.

Isso nos faz olhar para o biogás como uma oportunidade, pois tem potencial para ser produzido em abundância no Brasil.

Como o setor cerâmico pode abordar o mercado de biogás?

Para reduzir a margem de erros, a Anfacer quer construir um projeto piloto de aquisição de biogás em pool, no qual as empresas comprariam biogás em grupo e dividiriam porções dele.

No estado do Ceará, uma empresa do nosso setor começou a comprar biometano em um contrato de teste. Houve algumas dificuldades, mas eles aprenderam muito com a experiência.

A indústria cerâmica está disposta a pagar um preço mais alto pelo biometano Nosso setor ainda não aproveitou o atributo verde do biometano. Estamos discutindo e entendemos que pode ser ótimo para nossos produtos de exportação.

Mas ainda não vemos seu valor e não está claro como isso pode gerar valor para nossos produtos, que já são muito verdes. Mas se pudermos descarbonizar o processo de queima do nosso forno, podemos ampliar nossa pegada verde.

No geral, ainda não sabemos o valor desse atributo verde para o biometano e estamos pesquisando e discutindo I-RECs, CBios e assim por diante.

A maioria dos associados da Anfacer está ligada à distribuidora de gás Comgas, no estado de São Paulo. A empresa renovará todos os contratos com seus consumidores industriais antes do final do ano. Como a negociação está avançando?

A negociação anterior de renovação do contrato foi muito difícil, pois era difícil diminuir as multas Entendemos que a Petrobras, fornecedora de gás para a distribuidora naquela época, também tinha multas muito altas para as distribuidoras.

Os novos contratos são muito rígidos nas penalidades. Avisamos os distribuidores que isso seria um problema.

A renovação do contrato anterior ocorreu quando a produtividade era alta, portanto, multas caras não eram uma preocupação. Mas os preços das matérias-primas, embalagens e componentes de máquinas aumentaram no mercado global, o que obrigou o mercado de cerâmica a realinhar seus preços. Como resultado, esperamos que a atividade industrial caia no segundo semestre de 2022.

Além disso, multas altas estão começando a ser um problema à medida que nossos estoques caem.


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