Energia do Brasil: até 90 GW de capacidade fotovoltaica

O Plano Nacional de Energia do Brasil 2050 (NEP 2050) destaca a importância da energia solar fotovoltaica para o mix de energia no BrasilA energia solar tornou-se uma alternativa competitiva como fonte renovável de energia e pode ajudar o país a cumprir seus compromissos de redução de gases de efeito estufa, diz o relatório. Como no caso do vento, o relatório da NEP vê uma expansão significativa da energia solar fotovoltaica com base em sua perspectiva de aumento de competitividade no horizonte de 2050. Considerando apenas a geração centralizada, a energia solar fotovoltaica deve atingir uma capacidade instalada de 27–90 GW gerando 8–26 GW em média até 2050; esses números pressupõem uma capacidade solar total instalada de 5–16%, gerando 4–12% da energia total até 2050, desconsiderando a participação da DG PV no mix.

Publicado durante a pandemia de Covid-19, o Plano Nacional de Energia do Brasil 2050 (NEP 2050) define estratégias de longo prazo para o setor energético do país, ao mesmo tempo em que expressa preocupação com as incertezas deste momento histórico em que a saúde pública é um fator chave para o futuro da economia em geral e, consequentemente, do setor elétrico. No entanto, o plano afirma sua importância como visão de futuro e defende sua capacidade de orientar o desenvolvimento durante esse período desafiador.

A NEP 2050 emitida pelo Ministério de Minas e Energia em 16 de dezembro de 2020 analisa diferentes aspectos do desenvolvimento do setor de energia examinando várias mudanças em andamento na produção e uso de energia. O relatório visa apoiar a tomada de decisões por meio de modelagem e análise de impactos de longo prazo associados a diferentes escolhas de políticas energéticas. Seu objetivo declarado é “não prever o futuro, mas ajudar os tomadores de decisão em um contexto de interações muito complexas, variáveis ​​e incertezas abundantes e, às vezes, mudanças disruptivas”.

O relatório apresenta dois cenários possíveis: primeiro, “Desafios à Expansão”, que analisa a expansão da infraestrutura e oferta de energia para atender a um crescimento significativo da demanda; e segundo, “Stagnation”, que examina as implicações de uma relativa estagnação na demanda de energia per capita do Brasil. O relatório avalia que o cenário “Desafios à Expansão” exigirá que os procedimentos e políticas atuais sejam acrescidos e aprimorados, e que soluções inovadoras sejam introduzidas para promover a expansão do setor de energia no longo prazo. Além disso, o fornecimento de energia elétrica deve ser constante, atendendo a critérios que englobam segurança energética, retorno adequado dos investimentos, disponibilidade para as pessoas e responsabilidade socioambiental. No cenário de “estagnação”, são analisadas as consequências do consumo de energia per capita permanecer inalterado. Nesse caso, não haverá necessidade iminente de expansão de capacidade para atender ao aumento da demanda, e o foco se deslocará para outras questões, como o perfil mais adequado para a matriz energética nacional.

O cenário de expansão permite uma taxa média de crescimento anual de 2,2% e sustenta a visão de que o consumo em 2050 poderá atingir o dobro do nível registrado até o final de 2015, com um crescimento mais acelerado superior a 2,5% ao ano nos primeiros quinze anos desde então, considerando um crescimento médio do PIB de 3,1% aa e um crescimento do PIB per capita de 2,8%. Por outro lado, o cenário “Estagnação” mostra o consumo crescendo pouco mais de 10% no mesmo período.

Apesar da incerteza sobre o desenvolvimento do setor elétrico no longo prazo, o relatório indica que o potencial energético do Brasil supera em muito a demanda total estimada de energia nesse período. Isso coloca o desafio de gerenciar a abundância de recursos e as implicações econômicas decorrentes de o país se tornar um grande produtor de energia de diversas fontes renováveis.

De acordo com o relatório da NEP, o potencial energético do Brasil chegará a quase 280 bilhões de tep (tonelada equivalente de petróleo) até 2050. Esse número representa um potencial de 21,5 bilhões de tep em recursos não renováveis ​​mais um potencial anual de 7,4 bilhões de tep em recursos renováveis 35 anos. No entanto, a demanda por energia pode crescer de 300 milhões tep para cerca de meros 600 milhões tep por ano. Em 35 anos, pode chegar a uma demanda total de energia acumulada de pouco menos de 15 bilhões tep.

O uso ótimo dos recursos está sujeito a restrições técnicas e econômicas que envolvem aspectos tecnológicos, legais, regulatórios, ambientais, sociais e governamentais. O relatório da NEP aponta que essas variáveis ​​resultam na existência de alguns recursos mais facilmente exploráveis, enquanto outros o são menos. No entanto, apenas a participação dos recursos mais acessíveis supera em 60% a demanda total de energia acumulada no período. A parcela de recursos mais difíceis de explorar soma cerca de 255 bilhões de tep, dos quais pouco mais de 10 bilhões de tep são de recursos não renováveis. Os recursos renováveis ​​– cujo potencial mais desafiador chegaria a 245 bilhões de tep até 2050 – incluem usinas hidrelétricas (HPPs) que podem invadir áreas protegidas, parques eólicos offshore de 10 km a 200 milhas da costa, e projetos solares fotovoltaicos offshore com irradiação variando de 6,5 a 6,8 kWh/m²/dia. O potencial técnico estimado para geração fotovoltaica flutuante é de cerca de 4.443 TWh/ano.

Papéis do consumidor

Outro ponto destacado na NEP 2050 é a mudança no papel do consumidor provocada pelos avanços tecnológicos e novos modelos de negócios. Mais informações sobre os padrões de consumo devem fortalecer o engajamento do consumidor e abrir caminho para novos produtos e serviços. Ou seja, a nova infraestrutura associada à digitalização, a revelação das preferências individuais dos consumidores e a necessidade de atualização dos desenhos e regulamentos do mercado devem gerar novos modelos de negócio e aumentar a diversidade de players.

A NEP alerta que para o país otimizar o uso de seus recursos energéticos, as políticas públicas devem trazer não apenas o crescimento do consumo de energia, mas também novos comportamentos de consumo. Entre os desafios discutidos no relatório estão a necessidade de maior clareza regulatória e segurança jurídica, bem como a crescente complexidade do sistema elétrico brasileiro.

Consumo elétrico

Na seção “Desafios à Expansão”, o relatório diz que o potencial (que compreende o consumo atendido pela rede, pela autoprodução, pela geração distribuída, todos estimados antes de descontados os ganhos de eficiência energética) crescerá em média 3,5% aa a partir de 2015 até 2050, atingindo uma média de cerca de 240.000 MW (ou pouco mais de 2.100 TWh) (figura 2). Dentro desse total, estima-se que 5% do consumo potencial (cerca de 11.000 MW em média) será atendido por geração distribuída e 7% (ou 16.000 MW em média) por autoprodução. Estima-se que a eficiência energética aumente significativamente nesse período, atingindo 17% da demanda total em 2050, ou pouco mais de 40 GW (cerca de 360 ​​TWh) em média.


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