Energia

Energia solar coroa programa de habitação social no Brasil

“A energia solar completa minha felicidade”, disse Divina Cardoso dos Santos, proprietária de uma das 740 casas com painéis fotovoltaicos nos telhados de um assentamento nos arredores da cidade central do Brasil.
“A primeira bênção foi essa casa”, disse a mãe de 67 anos, de 67 anos, e avó de 14 anos. “Paguei 600 reais por mês para alugar na cidade de Palmeiras, e agora pago uma cota mensal de apenas R $ 25 por esta casa, que é minha ”, disse à IPS. 
Sua aposentadoria, que nos últimos dois anos garantiu a ela uma renda equivalente ao salário mínimo (250 dólares) por mês, e as visitas de uma filha que mora na Suíça são “outras bênçãos”, que precederam os painéis solares, que permitem ela poupar quase todo o custo da conta de eletricidade – cerca de 15 dólares por mês.
O complexo Residencial Maria Pires Perillo, um grupo de 740 residências que começou a abrigar famílias pobres em 2016, é um projeto de habitação social da Agência de Habitação (AGEHAB) do estado de Goiás, no centro-oeste brasileiro. 
Localizado a dois quilômetros de Palmeiras de Goiás, uma cidade de 28.000 habitantes, é o maior dos quatro complexos residenciais que a AGEHAB fornecerá com energia solar. A agência é pioneira no Brasil em incluir energia solar em programas habitacionais. 
“Gostaríamos de construir todos os novos conjuntos habitacionais com painéis solares e também instalá-los nos anteriormente construídos”, disse à IPS Cleomar Dutra, presidente da AGEHAB.
A agência subsidia a instalação, concedendo R $ 3 mil a cada família, por meio do programa “ChequeMaisMoradia” para a melhoria das residências. O dinheiro cobre o custo de dois painéis solares e o equipamento necessário, como inversores, cabos e suportes. 
Mas a desvalorização deste ano da moeda brasileira, o real, elevou o custo dos painéis e outros equipamentos, que são quase todos importados. Recursos adicionais para as instalações do complexo de Palmeiras, que ainda não foram concluídos, tiveram que ser buscados, disse Dutra.
“Nem todas as casas terão painéis solares, porque alguns não assinaram o contrato de financiamento para o ‘Check Mais Moradia’”, disse Pedro de Oliveira Neto, técnico de 32 anos que administra as instalações da Residencial Maria Perillo. Complexo, instalado pela Nexsolar. 
Oliveira vem fazendo esse trabalho nos últimos quatro meses, depois de fazer um curso especializado. Antes disso, ele trabalhou na indústria de carne e na mineração. Agora ele quer ficar no campo da energia solar, “que tem futuro, é inovação”, disse à IPS. 
Na verdade, a maioria das casas do complexo tem painéis solares, mas poucos deles geram sua própria energia. Depois de instalados, outras condições devem ser atendidas para que a empresa de energia local Enel, da Itália, conecte o sistema de cada residência à rede.
O processo teve início em março de 2017, quando unidades solares foram instaladas em três residências como teste. Patricia Soares de Oliveira, 31 anos, casada com uma filha de oito anos, foi incluída na primeira instalação. Sua conta de eletricidade caiu para um quinto da anterior. Agora ela paga cerca de quatro dólares por mês. 
“Temos dois aparelhos de TV, uma geladeira, uma máquina de lavar roupa, um computador e ventiladores”, disse à IPS para explicar quanto de eletricidade eles usam. “Agora queremos reduzir a conta de água, que nos custa 10 a 12 vezes mais que eletricidade, ”ela reclamou.
Sua família também não precisa mais pagar o aluguel porque lhes foi concedida uma casa no complexo. Considerando que costumavam pagar 350 reais (90 dólares) por mês, agora pagam apenas 25 reais (6,50 dólares) por mês, a taxa pela pequena porção do financiamento que os proprietários têm que pagar. 
O baixo custo da casa se deve a um subsídio de até R $ 20 mil concedido pela AGEHAB, através do programa de construção ‘Check Mais Moradia’, para famílias pobres com renda de até três salários mínimos (cerca de US $ 740). ), disse Dutra, o chefe da AGEHAB. 
As famílias instaladas no complexo estão pagando apenas o financiamento complementar do Federal Economic Fund, um banco do governo.
“Uma casa de 44 metros quadrados, como as do complexo, é construída com materiais que custam 29 mil reais, mas o custo pode ser reduzido se a compra for coletiva”, avalia Dutra. Então o ‘Check Mais Moradia’ é insuficiente, mas quase o suficiente. 
Se as famílias beneficiárias estiverem encarregadas da construção, trabalhando juntas em conjunto ou se o gabinete do prefeito fornecer a mão-de-obra, as casas podem ser construídas praticamente sem incorrer em dívidas, disse Dutra. 
Os complexos habitacionais são voltados para as famílias mais necessitadas, pois a AGEHAB não possui recursos para atender a todos, disse ela.
Palmeiras de Goiás foi incluída no sistema porque a população cresceu bem acima da média do estado, devido à imigração. As novas indústrias de carne, laticínios e ração animal atraíram muitas pessoas à procura de trabalho. 
Gerar eletricidade a partir de painéis solares é uma novidade dos últimos dois anos no programa habitacional de Goiás, mas a energia solar já era usada em projetos de habitação social para aquecimento de água – há caldeiras solares em todos os telhados. 
É uma tecnologia mais barata e acessível, bastante difundida no Brasil, mesmo na região Nordeste, onde as pessoas não costumam tomar banho com água quente, devido às altas temperaturas locais.
A geração de eletricidade fotovoltaica tem imenso potencial no Brasil. No Centro-Oeste, a radiação solar de um telhado de 30 metros quadrados poderia produzir cinco vezes a eletricidade consumida por uma família de baixa renda, estima Dennys Azevedo, engenheiro que é gerente de obras da AGEHAB. 
Essa geração seria suficiente para 3,5 famílias consumindo a média nacional, 157 quilowatts / hora por mês, disse à IPS. 
Mas as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o órgão regulador brasileiro, não permitem que os consumidores vendam a energia que geram. O único benefício que recebem é que a energia que eles geram e consomem é deduzida de sua conta de energia elétrica.
As casas do complexo Residencial Maria Perillo, por exemplo, têm apenas dois painéis solares, que ocupam apenas um quinto do telhado. Um painel adicional excederia o consumo de famílias locais. 
Essa regra, que não existe em países que expandiram bastante a geração solar, como a Alemanha, é difícil de eliminar devido à “pressão das empresas de distribuição que perderiam participação de mercado”, disse Azevedo. 
Além disso, essas empresas de energia querem cobrar um imposto pela geração solar distribuída (descentralizada), basicamente um imposto pelo uso das linhas de energia, um custo que atualmente é subsidiado, de acordo com eles. Mas “todos já pagamos um imposto de disponibilidade” para a rede elétrica, disse o engenheiro.
Outra restrição é a importação de equipamentos ainda não fabricados no Brasil. Os preços dependem da taxa de câmbio, e qualquer desvalorização da moeda nacional torna tudo mais caro, tornando o planejamento impossível, argumentou. 
Além disso, vários impostos caros elevam os preços dos equipamentos solares no Brasil, anulando parte da redução de custos para todos os componentes de energia solar, disse Azevedo, que explicou que esforços estão sendo feitos para evitar essa taxação, “talvez comprando equipamentos através do Nações Unidas ”e obter fundos para novos projetos.

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