Equinor aposta na energia eólica offshore para diminuir a intensidade de carbono do seu petróleo

Descubra o impacto deste movimento na indústria global de energia, a visão da Noruega para um futuro sustentável, e o debate em torno da transição para fontes de energia mais limpas.

Título: Equinor Lidera Revolução Verde com Investimento em Energia Eólica Offshore

A Equinor, gigante do petróleo e do gás na Noruega, está revolucionando a indústria com seu investimento maciço em energia eólica offshore para reduzir a emissão de carbono de seus produtos. A empresa iniciou este projeto inovador numa plataforma localizada a 140 quilômetros da costa norueguesa, onde o príncipe herdeiro Haakon demonstrou a conexão simbólica entre uma turbina eólica e uma plataforma de petróleo, sinalizando a integração entre energia renovável e produção de petróleo.

Equinor aposta na energia eólica offshore para diminuir a intensidade de carbono do seu petróleo
Foto- Freepik

A implementação desse projeto colossal, o maior parque eólico flutuante do mundo, custou mais de 660 milhões de dólares e levou cinco anos para ser concluído. Este marco representa um passo significativo para a Equinor no seu caminho para diminuir a intensidade de carbono do petróleo. Cada uma das turbinas do parque Hywind Tampen, comparáveis em peso à Estátua da Liberdade, é ancorada ao fundo do mar, simbolizando a fusão da robustez industrial com práticas ambientais sustentáveis.

Este movimento pioneiro da Equinor reflete a estratégia nacional da Noruega de minimizar as emissões de carbono na produção de petróleo, alinhando-se com metas climáticas internacionais. A Noruega, conhecida por sua riqueza proveniente da indústria petrolífera, busca equilibrar seu legado econômico com responsabilidades ambientais. Entretanto, permanece o desafio das emissões geradas pela queima de petróleo exportado, um ponto de controvérsia ambiental.

Globalmente, a indústria de petróleo e gás está se adaptando a demandas por práticas mais sustentáveis. Com a Saudi Aramco focando em hidrogênio de baixo carbono e outras empresas petrolíferas como a Occidental Petroleum Corp. dos EUA explorando a captura de carbono, esta tendência será um tópico chave na cimeira climática COP28 nos Emirados Árabes Unidos.

Terje Aasland, ministro do petróleo e do gás da Noruega, enfatiza a importância de operações sem emissões para uma visão sustentável a longo prazo, ressaltando a necessidade de envolver a indústria de petróleo e gás na luta contra as mudanças climáticas.

A estratégia norueguesa de eletrificar sua produção de petróleo é evidenciada pela plataforma Troll A, que opera desde 1996, e por aproximadamente 20 outros campos ao longo da costa que se beneficiam da eletricidade, reduzindo significativamente a liberação de carbono. Além disso, a Equinor planeja um projeto de 1,2 bilhão de dólares para eletrificar sua instalação de gás natural liquefeito em Hammerfest.

O esforço da Equinor em adotar energia eólica e outras práticas sustentáveis na produção de petróleo está gerando debates na Noruega, especialmente diante de uma possível crise energética. A crescente demanda por eletricidade, combinada com desafios climáticos e a controvérsia em torno da construção de turbinas eólicas em terra, levanta questões sobre a viabilidade de exportar energia, especialmente considerando o setor petrolífero como um grande consumidor de eletricidade. Em 2022, a indústria extraiu cerca de 9 terawatts-hora de eletricidade, correspondendo a 7% do consumo nacional, e prevê-se que esse número dobre até o final da década. A Statnett, operadora de rede da Noruega, alerta para uma possível escassez de eletricidade já em 2027.

O debate político na Noruega está aquecido, com líderes de vários espectros argumentando sobre os custos e eficácia da eletrificação como estratégia para alcançar metas climáticas. Um comitê governamental recentemente sugeriu evitar o uso de energia terrestre para reduzir emissões e propôs uma moratória sobre novas licenças de produção e desenvolvimento petrolífero até que uma estratégia para a eliminação progressiva das operações seja aprovada.

Apesar destes desafios, a indústria petrolífera continua sendo uma fonte vital de riqueza para a Noruega, representando 24% do PIB e contribuindo significativamente para o fundo soberano do país, essencial para manter seu estado de bem-estar social. O primeiro-ministro Jonas Gahr Store defende o desenvolvimento, e não o desmantelamento, da indústria petrolífera.

Grupos ambientalistas, como o Bellona, trabalham junto à indústria, embora critiquem o foco excessivo na eletrificação e a falta de esforços para soluções alternativas, como a captura de carbono submarina.

A Equinor, através de sua instalação em Bergen, gerencia os fluxos de eletricidade do Hywind Tampen e opera plataformas de petróleo não tripuladas. Ole Arild Larsen, gerente de projeto da instalação, destaca o projeto como um passo para testar tecnologias eólicas offshore em locais como Califórnia e Coreia.

Apesar dos esforços da Equinor para desenvolver tecnologias sustentáveis, como energia eólica offshore e captura de carbono, há críticas de que essas iniciativas servem apenas para prolongar a era do petróleo. Gina Gylver, líder de uma ONG ambiental, argumenta que, embora essas medidas reduzam as emissões locais, não abordam os impactos mais amplos da indústria petrolífera.

Este cenário complexo e multifacetado evidencia as dificuldades e os dilemas enfrentados pela Noruega e pela indústria global de petróleo e gás na transição para um futuro mais sustentável. A iniciativa da Equinor, embora pioneira, destaca os desafios inerentes à conciliação entre desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental em uma era de mudanças climáticas crescentes.


André Carvalho

André Carvalho é um aclamado jornalista com expertise abrangendo energia, petróleo, setor naval e indústrias em geral. Ao longo de sua carreira, André tem se destacado por sua capacidade de abordar temas complexos com clareza e profundidade. Seu compromisso com a veracidade e análise criteriosa faz dele uma figura de destaque no Click Petróleo. Seu conhecimento versátil reflete a dinâmica e interconexão dos setores que cobre. Contato: [email protected].

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