
O novo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, destacou em entrevista que o aproveitamento da energia é central não apenas para a segurança nacional, mas também para a capacidade do país competir no mercado global. Engenheiro e empreendedor conhecido por impulsionar a revolução do xisto, Wright assumiu o cargo com a missão de fortalecer a matriz energética e preparar a infraestrutura americana para a corrida da inteligência artificial (IA).
Segundo ele, energia é “a indústria que capacita todas as outras indústrias”. Por isso, uma política energética equivocada pode enfraquecer a economia e comprometer a segurança do país, como ocorreu, em sua visão, no Reino Unido e na Alemanha.
Hidrocarbonetos continuam dominando a matriz global
Wright enfatizou que, apesar dos investimentos trilionários em energia renovável, o mundo ainda depende majoritariamente dos hidrocarbonetos. Hoje, cerca de 85% da energia primária global ainda vem de petróleo, gás e carvão, a mesma proporção de 50 anos atrás.
Ele argumenta que o debate político simplifica demais a questão energética, apresentando soluções “verdes” como únicas alternativas. “Não importa de onde vem a energia. O que importa é que seja acessível, confiável, segura e que melhore a vida das pessoas”, afirmou.
Corrida da inteligência artificial: “Projeto Manhattan 2.0”
O secretário comparou a disputa global pela supremacia em IA ao Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. Para Wright, a liderança nessa área depende diretamente de garantir abundância energética.
Ele estima que os EUA precisam de pelo menos 100 gigawatts adicionais de geração firme nos próximos quatro anos para sustentar a demanda de data centers e evitar riscos de apagões. “Sem energia, não há chance de liderar a IA. Seria entregar o futuro para a China”, alertou.
Burocracia e custos como entraves
Um dos pontos criticados por Wright foram as regras ambientais da administração anterior, que exigiam captura e sequestro de carbono em novas usinas de gás natural. Para ele, tais exigências inviabilizam investimentos e elevam custos.
O secretário defende a reativação de usinas nucleares, o freio ao fechamento de plantas a carvão ainda viáveis e a aceleração de projetos de gás natural como forma de expandir rapidamente a oferta elétrica.
Energia de fusão e inovação tecnológica
Além das medidas imediatas, Wright destacou entusiasmo com o avanço da energia de fusão, vista como uma fonte limpa e praticamente inesgotável. Ele acredita que, com apoio da inteligência artificial, será possível tornar essa tecnologia viável comercialmente dentro de 10 a 20 anos.
O secretário também ressaltou o papel da ciência e dos laboratórios nacionais na transformação de setores estratégicos, citando pesquisas em materiais avançados, computação quântica e novas aplicações energéticas.
Um “xadrez energético” global
Para Wright, a geopolítica da energia é comparável a um jogo de xadrez. Enquanto a Rússia usa o gás natural como arma e a China investe pesadamente em infraestrutura global, os EUA precisam aproveitar sua posição de potência energética consolidada pela revolução do xisto.
“Nos tornamos o maior exportador de gás natural e um exportador líquido de petróleo. Isso não apenas garante nossa autossuficiência, mas fortalece nossos aliados”, disse.
Chris Wright chega ao governo com discurso direto: energia e inteligência artificial são os pilares do poder americano no século XXI. Sua gestão promete enfrentar burocracias, ampliar a geração elétrica e buscar um equilíbrio entre segurança energética, inovação tecnológica e pragmatismo econômico.
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