Grandes petroleiras expandem exploração em águas profundas à medida que a atividade cresce novamente

Grandes petroleiras expandem orçamentos e atividades de perfuração, com destaque para descobertas na Namíbia e Guiana, projetando um futuro robusto para a indústria.

À medida que a demanda global por petróleo e gás continua a crescer, grandes empresas petrolíferas como ExxonMobil, Chevron, Shell, BP, TotalEnergies e Eni estão aumentando significativamente seus orçamentos de exploração em águas profundas. Com foco em regiões como a Margem Atlântica, o Mediterrâneo Oriental e a Ásia, essas companhias visam não apenas atender a demanda futura, mas também garantir retornos financeiros elevados por décadas.

Recentemente, a Guiana e a Namíbia emergiram como áreas de destaque devido a descobertas consideráveis de petróleo. Na Namíbia, por exemplo, a Shell e a TotalEnergies, junto com a portuguesa Galp, anunciaram descobertas significativas nos últimos dois anos. A TotalEnergies descreveu uma dessas descobertas, o prospecto de Vênus na Bacia de Orange, como uma “descoberta gigante de petróleo e gás”.

O incremento dessas atividades de exploração tem se refletido diretamente nos lucros das empresas e na demanda crescente por serviços de campos petrolíferos e fretamento de plataformas. A consultoria Rystad Energy prevê que as despesas de capital em novas perfurações em águas profundas alcançarão o nível mais alto em 12 anos em 2025, podendo aumentar 30% até 2027, totalizando US$ 130,7 bilhões.

Além das descobertas, as empresas estão focadas em desenvolver campos de baixo custo e baixas emissões. A Azule Energy, uma joint venture entre BP e Eni, recentemente adquiriu uma participação significativa em um bloco offshore na Namíbia, indicativo de um potencial econômico robusto mesmo com preços do petróleo a partir de US$ 40 por barril, segundo estudos da Wood Mackenzie.

A SLB, maior fornecedora mundial de serviços de campos petrolíferos, reportou um aumento nos lucros do primeiro trimestre, evidenciando uma recuperação forte na perfuração offshore. Paralelamente, a Valaris, importante fornecedora de plataformas offshore, viu sua carteira de contratos crescer substancialmente, com previsões de demanda contínua até pelo menos 2026.

Essas movimentações sinalizam uma era de expansão contínua para a indústria petrolífera em águas profundas, que busca não só superar os desafios atuais, mas também se preparar para um futuro onde o petróleo e o gás continuam sendo recursos cruciais para a economia global.


André Carvalho

André Carvalho é um economista e professor que se especializa em economia do trabalho e benefícios sociais. Sua pesquisa e ensino enfocam como as políticas econômicas podem ser estruturadas para melhorar a vida dos trabalhadores e reduzir a desigualdade social, contribuindo significativamente para debates políticos e acadêmicos nesse campo.

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