O boom do petróleo offshore na América do Sul desafiará o domínio da OPEP

Explore como o crescimento exponencial da indústria petrolífera na América do Sul, liderado por Brasil e Guiana, está posicionando a região como um competidor significativo no mercado global de petróleo, ameaçando a predominância da OPEP

Surge o Gigante Petrolífero Sul-Americano: Ameaça ao Poder da OPEP

A expansão vigorosa da exploração petrolífera offshore na América do Sul está se configurando para redefinir o panorama energético global, desafiando a influência tradicional da OPEP. A colaboração entre a Guiana e o Brasil está prevista para elevar a produção petrolífera da região em quase três milhões de barris diários até o fim desta década.

plataforma-de-petroleo-e-gas-no-golfo-ou-no-mar-a-energia-mundial-construcao-de-petroleo-e-equipamento-offshore (2) Foto- Divulgação

O Brasil almeja incrementar sua produção para 5,4 milhões de barris diários até 2029, enquanto a Guiana projeta um acréscimo de no mínimo 1,2 milhões de barris até 2027. A descoberta de grandes reservas de petróleo nas águas da Guiana, particularmente pelas investigações da Exxon, colocou em operação enormes navios conhecidos como FPSOs, que extraem petróleo de depósitos localizados até seis quilômetros abaixo do solo marinho. Estima-se que a Guiana, com uma população de pouco mais de 800.000 habitantes, possua cerca de 11 bilhões de barris de petróleo recuperável. As descobertas atraíram gigantes do setor energético como Exxon, Chevron e TotalEnergies, marcando um novo capítulo na história petrolífera sul-americana.

Após a dramática contração do setor de hidrocarbonetos na Venezuela, a Guiana emerge como um ponto focal, com projeções indicando que se tornará uma das principais produtoras de petróleo do mundo. Em apenas cinco anos, a Guiana evoluiu de sua primeira descoberta para a produção efetiva, um feito notável no setor. A produção da Guiana, que atingia uma média de 350.000 barris diários em setembro de 2023, e as descobertas no Bloco Stabroek, reforçam a posição do país como um ator energético significativo.

Por outro lado, o Brasil, já estabelecido como a maior economia e produtor de petróleo da América Latina, caminha para uma expansão substancial de sua produção. A descoberta de vastas reservas na camada pré-sal da Bacia de Santos impulsionou a indústria, com o campo de Tupi liderando a produção. O planejamento estratégico do governo brasileiro e os investimentos da Petrobras, focados principalmente em ativos do pré-sal, visam alcançar uma produção de 5,4 milhões de barris diários até 2029, o que colocaria o Brasil entre os maiores produtores globais de petróleo.

A conjunção da expansiva produção petrolífera de Brasil e Guiana, juntamente com a flexibilização das sanções contra a Venezuela e o crescimento do setor de hidrocarbonetos na Argentina, está transformando o continente sul-americano em um polo energético de importância mundial. Esta nova dinâmica energética sul-americana não só desafia a supremacia da OPEP na determinação dos preços globais do petróleo, mas também reduz a dependência dos EUA em importações de petróleo da OPEP, alterando significativamente as correlações geopolíticas e energéticas globais.


Suzana Melo

Graduada em Jornalismo pela Faculdade do Rio de Janeiro, Suzana Melo é uma voz respeitada no universo do petróleo, energia e temas correlatos. Com uma abordagem perspicaz e informada, Suzana tem contribuído significativamente para o entendimento desses setores no Click Petróleo, trazendo análises aprofundadas e notícias atualizadas. Seu compromisso com a veracidade e clareza a estabeleceu como uma referência no jornalismo energético. Contato: [email protected].

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