OPEP+ Convoca Reunião Virtual Urgente para Discutir Quotas e Preços do Petróleo em Declínio

A OPEP+ se prepara para uma reunião virtual decisiva em meio a disputas internas e queda nos preços do petróleo. A conferência online, reagendada para 30 de novembro, coincide com as negociações climáticas da ONU e visa resolver desacordos sobre as quotas de produção, especialmente entre a Arábia Saudita e membros africanos como Angola e Nigéria."

Disputas Internas e Mercado Instável Levam OPEP+ a Realizar Conferência Virtual

A organização OPEP+ anunciou uma reunião crucial por videoconferência, substituindo o encontro presencial anteriormente planejado, como medida para discutir os desafios atuais na produção de petróleo diante de um mercado volátil. A decisão segue um adiamento provocado por divergências entre a Arábia Saudita e parceiros africanos, como Angola e Nigéria, sobre as limitações de produção de petróleo.

OPEP+ Convoca Reunião Virtual Urgente para Discutir Quotas e Preços do Petróleo em Declínio
Foto-Freepik

A controvérsia levou ao adiamento da conferência, inicialmente marcada para dias anteriores, e agora remarcada para o dia 30 de novembro. Este adiamento causou uma queda significativa nos preços do petróleo, que desvalorizaram até 4,9%, atingindo valores inferiores a 80 dólares por barril em Londres.

Antes do adiamento, especulava-se que a Arábia Saudita poderia anunciar a continuação do seu corte de produção, uma redução de um milhão de barris diários, como estratégia para estabilizar os preços fluctuantes. Esperava-se também que Riade persuadisse outros membros a adotarem restrições semelhantes.

Essa disputa interna ressurge após um desentendimento ocorrido em junho, quando Angola, Congo e Nigéria foram pressionados pelo Ministro da Energia da Arábia Saudita, Príncipe Abdulaziz bin Salman, a aceitarem metas de produção reduzidas até 2024, refletindo suas capacidades de produção menores devido a desafios como subinvestimento e envelhecimento de campos petrolíferos.

A OPEP+ já modificou seus planos anteriormente, como ocorreu no ano passado, quando mudou uma reunião para o formato virtual após estabelecer metas de produção presencialmente em Viena.

A nova data da reunião, 30 de novembro, coincide com o início das negociações climáticas da ONU em Dubai, organizadas pelos Emirados Árabes Unidos, membro da OPEP. A coincidência de datas entre os dois eventos importantes implica desafios logísticos adicionais.

Enquanto isso, os mercados aguardam ansiosamente a resolução das divergências nas quotas e um possível acordo que possa fortalecer o mercado em 2024. A falta de consenso sobre a produção para o próximo ano poderia deixar o mercado petrolífero global em uma posição delicada.

A queda recente nos preços do petróleo, de aproximadamente 16% desde o pico em setembro, é influenciada por fatores como a surpreendente força da produção norte-americana e a desaceleração na demanda, especialmente da China, o maior importador mundial de petróleo.

Os mercados globais enfrentam a possibilidade de excedentes no início do próximo ano, com a desaceleração do crescimento da demanda e o aumento da produção em países como EUA e Guiana, conforme relatórios da Agência Internacional de Energia.

Além disso, o fornecimento de petróleo do Irã mostra sinais de recuperação com o relaxamento das sanções dos EUA, enquanto a Rússia mantém suas exportações estáveis, mesmo produzindo além de sua cota.

Os membros da OPEP+ buscam mais tempo para resolver essas questões, enquanto Angola e Nigéria expressam frustração com as metas de produção reduzidas impostas por membros mais influentes. Estes países aceitaram as novas quotas de forma relutante, com a condição de que seriam revisadas para valores mais altos caso uma auditoria externa, realizada por empresas independentes como Rystad Energy A/S, Wood Mackenzie Ltd. e IHS, demonstrasse uma capacidade de produção superior.

Embora essa auditoria tenha sido concluída, as conclusões foram rejeitadas pelo trio de países africanos, segundo autoridades que preferiram manter o anonimato. Esta recusa adiciona outra camada de complexidade às negociações, aumentando a incerteza sobre o desfecho da reunião remarcada e o futuro das quotas de produção dentro da aliança OPEP+.

A situação atual coloca em risco a estabilidade do mercado petrolífero global, já afetado por diversos fatores externos como a pandemia, tensões geopolíticas e transição energética. A reunião virtual da OPEP+ em 30 de novembro é, portanto, crucial não apenas para os membros do grupo, mas também para o equilíbrio do mercado de energia mundial.


Suzana Melo

Graduada em Jornalismo pela Faculdade do Rio de Janeiro, Suzana Melo é uma voz respeitada no universo do petróleo, energia e temas correlatos. Com uma abordagem perspicaz e informada, Suzana tem contribuído significativamente para o entendimento desses setores no Click Petróleo, trazendo análises aprofundadas e notícias atualizadas. Seu compromisso com a veracidade e clareza a estabeleceu como uma referência no jornalismo energético. Contato: [email protected].

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