Petrobras mantém rígida política de conteúdo local em face de expansão offshore

Com um plano de investimento de mais de US$ 100 bilhões até 2028, a Petrobras assegura adesão a políticas de conteúdo local sem exceder "níveis razoáveis

A Petrobras reiterou seu compromisso de não exceder os níveis considerados razoáveis em termos de conteúdo local em seus projetos de exploração e produção offshore. Em declaração durante a Offshore Technology Conference (OTC) em Houston, o diretor executivo de engenharia, tecnologia e inovação da empresa, Carlos Travassos, destacou que a empresa seguirá estritamente as diretrizes estabelecidas pelo regulador nacional, a Agência Nacional do Petróleo (ANP).

“Não vamos aumentar o conteúdo local além dos níveis que consideramos razoáveis”, afirmou Travassos. “Se houver novas diretrizes governamentais, seguiremos à risca. Caso contrário, continuaremos a buscar as melhores opções competitivas no mercado global.”

Esta posição vem após períodos de políticas mais flexíveis seguidas pela investigação da Operação Lava Jato, que revelou práticas corruptas envolvendo a Petrobras e grandes empresas de engenharia do Brasil. Críticos anteriores, especialmente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, argumentaram que as exigências de conteúdo local eram demasiadamente altas, abordando áreas nas quais o Brasil não tinha competitividade.

Petrobras mantém rígida política de conteúdo local em face de expansão offshore
Petrobras mantém rígida política de conteúdo local em face de expansão offshore

Entretanto, alinhada com a visão desenvolvimentista atual, a Petrobras planeja investir mais de US$ 100 bilhões entre 2024 e 2028, com especial foco na construção e revitalização de FPSOs (Unidades Flutuantes de Produção, Armazenamento e Transferência), sistemas submarinos e plataformas offshore. Estes investimentos prometem revigorar a indústria naval brasileira e garantir espaço significativo para fornecedores nacionais em todos os segmentos.

“Nosso programa de implantação de sistemas de produção offshore é o maior do mundo atualmente. Isto nos dá uma excelente oportunidade de incluir a indústria brasileira em nossos projetos”, explicou Travassos.

Além disso, a Petrobras está implementando estratégias para aumentar a atratividade de seus contratos, incluindo antecipação de pagamentos e priorização de financiamentos por meio do fundo federal da marinha mercante (FMM). Essas medidas visam atrair mais fornecedores nacionais e melhorar a competitividade nos processos licitatórios.

“A Petrobras criou um espaço de colaboração onde os fornecedores podem enviar solicitações e sugestões”, disse Travassos. “Este diálogo aberto tem melhorado nossos processos licitatórios e nos ajudado a entender e adaptar as condições à realidade global.”

Embora haja preocupações com atrasos nos processos licitatórios para alguns projetos, como os FPSOs SEAP e Albacora, Travassos assegura que tais atrasos são parte de uma análise de risco que não afetará a projeção de produção da empresa, prevista em 3,2 milhões de barris de petróleo equivalente por dia até 2028.

“Nossa curva de produção é robusta e calculada através de métodos científicos rigorosos”, concluiu o diretor, confirmando a estabilidade e o comprometimento da Petrobras com seus objetivos de produção e com as políticas nacionais de desenvolvimento sustentável.


André Carvalho

André Carvalho é um economista e professor que se especializa em economia do trabalho e benefícios sociais. Sua pesquisa e ensino enfocam como as políticas econômicas podem ser estruturadas para melhorar a vida dos trabalhadores e reduzir a desigualdade social, contribuindo significativamente para debates políticos e acadêmicos nesse campo.

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