Petróleo bruto dos EUA cai abaixo de US$ 75 por barril após OPEP adiar reunião

O preço do petróleo bruto americano mergulha abaixo de $75 por barril após a decisão da OPEP de postergar uma importante discussão sobre limitações na produção.

Os valores do petróleo nos Estados Unidos sofreram um declínio acentuado na última quarta-feira. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) optou por postergar uma reunião decisiva que discutiria restrições na produção de petróleo. Esta decisão impactou imediatamente os preços do mercado.

Petróleo bruto dos EUA cai abaixo de US$ 75 por barril após OPEP adiar reunião
Foto-Freepik

O contrato de janeiro para o petróleo tipo West Texas Intermediate (WTI), uma referência importante no mercado americano, registrou uma baixa de $1,43, ou 1,84%, fixando-se em $76,36 por barril durante as negociações vespertinas. Paralelamente, o petróleo tipo Brent, outra referência significativa, observou uma redução de $1,33, ou 1,61%, resultando em um preço de $81,12 por barril.

Nas primeiras horas do dia, o petróleo bruto dos EUA chegou a cair em torno de 5%, alcançando $73,85 por barril. No entanto, houve uma recuperação parcial dessas perdas ao longo do dia.

A OPEP anunciou através de uma nota que o encontro dos ministros responsáveis pela energia seria remarcado para a próxima quinta-feira. A organização não especificou os motivos, mas, segundo fontes da Bloomberg, a decisão veio após desacordos, particularmente da Arábia Saudita, com os níveis de produção de alguns países membros.

A expectativa do mercado era que a OPEP e seus aliados, coletivamente conhecidos como OPEP+, implementassem cortes adicionais na produção. Essa perspectiva havia elevado os preços no final da semana anterior e no início da semana corrente.

Tamas Varga, analista da PVM Oil Associates, observou que a adesão aos cortes de produção propostos é um desafio considerável para a OPEP+, pois muitos países têm incentivos para exceder suas cotas de produção. Ele destacou especialmente a Rússia, que necessita de recursos para financiar seu conflito na Ucrânia.

Desde os picos de setembro, os preços do petróleo caíram drasticamente, impactados pelo aumento da produção fora da OPEP e pelas incertezas relacionadas à demanda na China, onde as exportações têm diminuído por seis meses consecutivos.

Dados dos EUA revelaram que a produção bruta atingiu 13,2 milhões de barris por dia, um patamar recordista e 1,1 milhão de bpd acima do mesmo período do ano anterior, conforme informações da Agência de Informação sobre Energia.

Ao mesmo tempo, os estoques domésticos de petróleo bruto, excluindo a reserva estratégica, aumentaram em 8,7 milhões de barris na semana encerrada em 17 de novembro. Paralelamente, observou-se uma queda de 469.000 barris na demanda por gasolina, indicando um arrefecimento no consumo nos EUA.

Embora essa situação possa frustrar a OPEP, ela traz benefícios para os consumidores americanos, com preços de gás previstos para cair para uma média de $3,25 por galão na quinta-feira, o valor mais baixo desde 2020 no feriado de Ação de Graças.

A OPEP+ já removeu 5,16 milhões de barris por dia do mercado desde 2022, incluindo cortes voluntários da Arábia Saudita e da Rússia. Mesmo com esses cortes significativos, o Brent desceu abaixo dos $80 por barril nas últimas semanas. O Goldman Sachs projeta que a Opep usará seu poder de precificação para manter o Brent na faixa de $80 a $100 por barril.

A maioria dos analistas prevê que a extensão dos cortes atuais pela OPEP+ até 2024 é o cenário mais provável, mas não descartam a possibilidade de cortes mais profundos devido às atuais condições do mercado.

Além disso, a geopolítica continua a influenciar os preços do petróleo. Israel e o Hamas acordaram um cessar-fogo de quatro dias na quarta-feira, visando facilitar a libertação de reféns detidos em Gaza. Em outubro, os preços do petróleo haviam disparado devido às preocupações de que o conflito pudesse se espalhar pelo Oriente Médio, embora os operadores de mercado agora considerem menos provável um conflito regional amplo.

A OPEP culpou especuladores pela recente queda nos preços do petróleo, argumentando que os fundamentos do mercado permanecem sólidos. Contudo, segundo Varga, os investidores parecem céticos quanto à narrativa da OPEP. Existe uma descrença geral de que o final deste ano e os primeiros trimestres do próximo ano sejam tão restritivos quanto sugerido pela organização.

Esta mudança nos preços do petróleo reflete um panorama complexo de oferta e demanda, bem como fatores geopolíticos que continuam a moldar o mercado global de energia. A situação permanece fluida, e a resposta da OPEP+ às condições de mercado em constante mudança será crucial para determinar a trajetória futura dos preços do petróleo.


Suzana Melo

Graduada em Jornalismo pela Faculdade do Rio de Janeiro, Suzana Melo é uma voz respeitada no universo do petróleo, energia e temas correlatos. Com uma abordagem perspicaz e informada, Suzana tem contribuído significativamente para o entendimento desses setores no Click Petróleo, trazendo análises aprofundadas e notícias atualizadas. Seu compromisso com a veracidade e clareza a estabeleceu como uma referência no jornalismo energético. Contato: [email protected].

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