Saiba qual é o pior sentimento da vida offshore; como enfrentá-lo?

Pior sentimento da vida offshore pode variar, mas a solidão e o isolamento prevalecem para muitos trabalhadores.

Fala pessoal, tudo beleza? No post de hoje, vamos abordar uma temática muito recorrente para aqueles que trabalham no setor de embarcações, sejam elas plataformas petrolíferas ou grandes navios mercantes: as experiências e desafios do momento de embarque e desembarque.

Vou compartilhar com vocês dois períodos críticos e repletos de expectativas na vida de quem atua a bordo: a tensão pré-embarque e a tensão pré-desembarque, duas facetas de uma realidade complexa e única desse ambiente de trabalho.

Preparação para o Embarque: Desafios e Expectativas

O trabalho embarcado é um sonho para muitos, mas, ao mesmo tempo, traz consigo um turbilhão de emoções e preparativos. Quando se recebe a notícia de que você vai embarcar, é inevitável sentir aquele frio na barriga. As expectativas começam a aumentar, e a mente enche-se de pensamentos e “doideiras”, como costumam dizer. Isso gera uma tensão psicológica significativa, que afeta não apenas o estado emocional, mas também o físico.

Working in the Offshore Oil and Gas Industry: What You Need to Know |  Morrow & Sheppard LLP

Uma das primeiras coisas que mudam antes de embarcar é o sono – ou a falta dele. Muitas vezes, a empresa envia a tripulação para um hotel na véspera do embarque, onde ficam aguardando o transporte para o aeroporto. Para quem já tem dificuldades para dormir fora de casa ou sofre de insônia, esse pode ser um desafio a mais.

A antecipação traz uma carga de stress que pode resultar em noites mal dormidas, paciência curta e nervosismo. Mesmo para os veteranos, com mais de dez anos de experiência, a tensão pré-embarque é uma realidade familiar, um estado de alerta que envolve todas as facetas da vida pessoal e profissional.

A Segurança em Risco: A Tensão do Pré-desembarque

Se a tensão pré-embarque é desafiadora, a tensão pré-desembarque pode ser considerada ainda mais intensa e, sobretudo, perigosa – especialmente do ponto de vista da segurança a bordo. No 13º dia a bordo, já sabendo que o desembarque acontecerá no dia seguinte, muitos começam a pensar na folga que os aguarda. Essa mentalidade pode torná-los suscetíveis a incidentes, uma vez que o foco pode se desviar das tarefas e da segurança no trabalho.

Acreditem, esse desvio de atenção é algo natural, mas exige um esforço consciente para manter a concentração nas atividades atuais e nos riscos inerentes ao trabalho do dia-a-dia. Cabe ressaltar que nem sempre o desembarque acontece como planejado devido a vários fatores imprevisíveis, como condições climáticas adversas, indisponibilidade de aeronaves ou problemas técnicos. Portanto, a capacidade de se manter focado e atento é crucial, mesmo quando o pensamento já está na volta para casa.

Imponderáveis do Desembarque: A Realidade do Mar

O mar é um ambiente impetuoso e imprevisível. Um exemplo clássico é a situação em que se está prestes a desembarcar, apenas para ser surpreendido por uma onda gigantesca que faz com que o navio balance. Se há um sensor destinado a sinalizar as condições para o pouso da aeronave – verde para ‘sim’ e vermelho para ‘não’ –, uma simples mudança na sua indicação pode alterar todo o cronograma planejado.

Além das condições meteorológicas, que podem incluir falta de teto e chuvas fortes impedindo operações de voo, há também a possibilidade de equipamentos ou pessoal de substituição não estarem disponíveis. Em algumas situações, ainda que raras, pode-se desembarcar em caráter de urgência, mas isso certamente não é a norma.

Esses imprevistos são apenas alguns exemplos do que pode ocorrer durante a tensão pré-desembarque, tornando essa fase do trabalho offshore um verdadeiro teste de paciência e resistência. É uma realidade que todos que trabalham nesse setor acabam por vivenciar, com suas particularidades e consequências para a segurança e o bem-estar de todos a bordo.

Conclusão e Quando Vem Mais Conteúdo

Esses foram apenas algumas das nuances que envolvem o embarque e desembarque no contexto offshore. No futuro, trarei mais conteúdo sobre esse assunto, incluindo uma entrevista com uma colega de bordo que compartilhará suas experiências e conhecimentos, aprofundando ainda mais essa discussão tão relevante.

A vida embarcada é feita de ciclos, de desafios constantes e aprendizados contínuos. Espero que esse post tenha oferecido uma visão sobre o que é trabalhar a bordo e as tensões que acompanham essa jornada. Um forte abraço a todos, e lembrem-se: isso é só o começo.


André Carvalho

André Carvalho é um aclamado jornalista com expertise abrangendo energia, petróleo, setor naval e indústrias em geral. Ao longo de sua carreira, André tem se destacado por sua capacidade de abordar temas complexos com clareza e profundidade. Seu compromisso com a veracidade e análise criteriosa faz dele uma figura de destaque no Click Petróleo. Seu conhecimento versátil reflete a dinâmica e interconexão dos setores que cobre. Contato: [email protected].

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