Setor náutico expande negócios com ‘Airbnb de barcos’

A jornalista e publicitária brasileira Isabella Salomão percebeu um dia que os ventos sopravam a favor do setor náutico e teve uma ideia. Desenvolveu então um aplicativo que pretende tornar-se, como diz, o “Airbnb dos mares”. Batizado de Fleetss, o app tem foco no aluguel de barcos, feito com segurança para proprietários e usuários por meio de uma plataforma de economia colaborativa, com avaliações de passeios e barcos.

A maré favorável também está ajudando os grandes players do setor: a BR Marinas planeja instalar em breve sua primeira unidade fora do Rio de Janeiro. A empresa teve um aumento de receita de 17% em 2021. Ela registrou crescimento durante a pandemia, o que, diferente de outros setores, estimulou o setor.

Segundo a Associação Brasileira dos Construtores de Barcos e seus Implementos (Acobar), o segmento fechou o ano de 2021 com um crescimento de aproximadamente 20% (o PIB brasileiro naquele ano teve alta de 4,6%, após queda de 3,9% em 2020) .

Segundo o criador do Fleetss, o aplicativo já está disponível para cadastro de proprietários de embarcações e para ser baixado pelos usuários. “Inicialmente, priorizamos a prospecção de barcos e adequações no sistema. No dia 10 de julho começamos a alugar os barcos”, conta a Sra. Salomão.

Um dos objetivos da Fleetss é atender a um mercado em crescimento e, ao mesmo tempo, oferecer segurança aos proprietários e usuários das embarcações. O modelo adotado, e a inspiração para o aplicativo, é o Airbnb. Ao encerrar o uso de um barco, o cliente paga o aluguel — que é retido e liberado apenas ao final do passeio. Dessa forma, o usuário tem a garantia de que não será vítima de golpe, enquanto o dono do barco sabe que será pago pelo serviço oferecido.

“Tivemos uma boa surpresa: estávamos com a meta de 150 inscrições, mas já temos 290 barcos no sistema. O aplicativo com maior número de embarcações e o único com abrangência nacional [17 estados]. Somos um Airbnb exclusivo para barcos, de diversos tipos, tamanhos e capacidades, como catamarãs, lanchas, iates e veleiros”, diz a Sra. Salomão.

Os proprietários precisam fornecer um marinheiro para navegar. Mas, em muitos casos, como os proprietários têm carta de condução, preferem ser os guias turísticos. Os aluguéis variam muito de preço, de R$ 600 a aproximadamente R$ 25.000 no caso de iates.

A Fleetss tem atualmente 2.000 usuários cadastrados para alugar os barcos. A Sra. Salomão explica que a ideia é usar o conceito de economia colaborativa: “O aplicativo tem espaço para descrição do barco, com fotos e comentários dos clientes. Após o passeio, o proprietário recebe uma avaliação. O objetivo é fazer algo seguro para ambas as partes.”

O aplicativo recebe 5% do aluguel, enquanto a taxa para usuários é de 10%. “O que sobra para a Fleetss é de 15%, alíquota que consideramos justa no mercado, em que outras empresas vêm cobrando mais”, diz o criador. No futuro, o objetivo é expandir o serviço para outros países, começando pelo México e Estados Unidos. Além disso, a Sra. Salomão está pensando em criar um projeto de venda de barcos.


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