Vendas de petróleo brasileiro para China e Índia caem significativamente

No 1º semestre o Brasil exportou 36% menos petróleo para a China do que no mesmo período do ano passado. Para a Índia caíram 53,8%.

As vendas de petróleo do Brasil para a Índia e a China no primeiro semestre de 2022 caíram consideravelmente, em meio à guerra da Ucrânia e um aumento significativo nas exportações de combustível da Rússia para os dois países asiáticos.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no primeiro semestre o Brasil exportou 36% menos petróleo para a China do que no mesmo período do ano passado. Da mesma forma, as exportações para a Índia caíram 53,8%.

De janeiro a junho deste ano, o Brasil exportou cerca de 1,2 milhão de toneladas do combustível para a Índia, mas no mesmo período, há um ano, o volume foi de 2,6 milhões de toneladas. Cerca de 12,5 milhões de toneladas de petróleo foram exportadas para a China no primeiro semestre deste ano, enquanto em 2021, cerca de 19,56 milhões de toneladas foram embarcadas no mesmo período.

Em dólares, as exportações de petróleo para a Índia caíram de cerca de US$ 1,09 bilhão para US$ 589 milhões (queda de 46%). Em relação à China, as exportações passaram de US$ 8,06 bilhões no ano passado para US$ 7,9 bilhões em 2022 (-2%).

Em meio à guerra na Ucrânia e às sanções impostas ao petróleo russo pelos Estados Unidos e pela União Europeia, China e Índia, os dois países mais populosos do mundo, tornaram-se os principais mercados para as vendas de óleo russo.

Em uma espécie de “mercado paralelo”, a Rússia oferece petróleo a preços mais baixos do que os normalmente negociados internacionalmente, explica Roberto Dumas, professor de economia internacional do Insper e estrategista-chefe do banco de investimentos Voiter.

A compra de petróleo da China pela Rússia também é uma forma de mostrar sua aliança política, explica Duma. “É uma aliança vantajosa para a China; compra petróleo do país com desconto e depois revende a preço de mercado”, explica.

Conseqüentemente, o preço do petróleo russo é mais atrativo do que o do Brasil, que sofreu uma redução em seus números de exportação. Segundo Dumas, a tendência é que as exportações brasileiras permaneçam menores enquanto durarem as sanções ao gás natural e ao petróleo da Rússia.

O professor também acredita que os Estados Unidos fazem “olhos cegos” para essa situação para evitar que os preços subam. “Sem o petróleo russo, o barril teria ido para cerca de US$ 160”, estima Dumas.

Apesar das sanções em vigor, durante os primeiros 100 dias da guerra, a Rússia ganhou € 93 bilhões com suas exportações de combustíveis fósseis, com cerca de dois terços desses ganhos provenientes do petróleo. No período, a China foi o maior importador de combustíveis fósseis da Rússia, e a Índia aumentou as importações, comprando cerca de 18% dos combustíveis fósseis do país.

Em maio, a Rússia ultrapassou a Arábia Saudita como principal fornecedor de petróleo da China, segundo dados divulgados pelo governo chinês, depois que as importações de petróleo russo atingiram um recorde de 28% em relação ao mês anterior. De acordo com dados de frete analisados ​​em junho pela Kpler, uma empresa de pesquisa de mercado, a Índia atualmente importa mais de 760.000 barris diários do russo Vladimir Putin.


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