
A guerra na Ucrânia marcou um ponto de virada na geopolítica energética mundial. Com a necessidade de reduzir a dependência do gás russo, países europeus passaram a enxergar o hidrogênio verde como peça-chave na diversificação da matriz energética. Esse movimento também despertou maior interesse em outras regiões, transformando o hidrogênio em prioridade de segurança energética e política industrial.
O que é hidrogênio verde?
O hidrogênio é o elemento mais abundante do universo, mas raramente encontrado em sua forma pura na Terra. Para ser obtido, precisa ser separado de outros elementos. No caso do hidrogênio verde, a produção ocorre por eletrólise da água, processo que utiliza eletricidade para quebrar a molécula de H₂O. Quando essa eletricidade vem de fontes renováveis, como solar e eólica, o resultado é um combustível limpo e sustentável.
Além do verde, existem diferentes “cores” de hidrogênio, que variam conforme a matriz energética utilizada:
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Cinza: obtido a partir do gás natural, altamente poluente.
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Azul: produzido como o cinza, mas com captura e armazenamento do CO₂.
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Rosa/Roxo: também pela eletrólise, porém usando energia nuclear.
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Branco: ocorre naturalmente no subsolo, ainda em fase de estudos, mas já chamado de “Santo Graal” da energia sustentável.
Desafios que travam a expansão
Apesar do entusiasmo, o hidrogênio verde enfrenta entraves significativos. O principal é o custo elevado de produção, já que a eletrólise ainda é cara quando comparada à geração por combustíveis fósseis. Além disso, existem obstáculos em armazenamento em larga escala e logística de transporte, que exigem tecnologias caras e complexas.
Mesmo assim, seu potencial é enorme, especialmente em setores de difícil descarbonização, como:
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Indústria pesada (aço e cimento);
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Transportes de longa distância (aviões, navios e caminhões);
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Produção de fertilizantes, que hoje depende fortemente de combustíveis fósseis.
Investimentos globais e perspectivas
Atualmente, os países que mais investem na produção de hidrogênio verde são Alemanha, Arábia Saudita, Austrália, China, Chile, Espanha e Países Baixos. Essas nações veem no hidrogênio não apenas uma solução energética, mas também uma oportunidade de liderança tecnológica e exportação estratégica no futuro.
O hidrogênio branco, por sua vez, tem despertado interesse após descobertas de depósitos na Austrália, França, Espanha, Leste Europeu e Mali, podendo reduzir custos e acelerar a transição energética, caso viabilizada sua exploração comercial.
De promessa a realidade
O hidrogênio verde deixou de ser apenas uma aposta e se tornou parte concreta das estratégias globais de transição energética, segurança nacional e política externa. A expectativa é que, com avanços tecnológicos e maior escala de produção, os custos sejam reduzidos, consolidando o papel desse combustível no combate às mudanças climáticas.
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